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“Previdência é o grande déficit do Brasil”

Diz Jonny Zulauf, presidente da Federação das Associações Empresariais (Facisc) em entrevista à rede SCPortais.

“Previdência é o grande déficit do Brasil”
(Foto: Renato Gama/Facisc)

Presidente da Facisc desde agosto de 2017, o empresário Jonny Zulauf não faz o tipo “em cima do muro”. Tem que se posicionar? Ele se posiciona! Tem que reclamar? Ele reclama! Tem que apoiar? Ele apoia! Mas se não souber fazer bom uso do apoio, ele retira! Simples assim. Não à toa se consolidou como uma das mais importantes lideranças empresariais do estado.

Advogado e administrador de empresas, é professor universitário há mais de três décadas da cadeira de Direito Empresarial. Nessa entrevista exclusiva, ele fala da frustração com 2019 e do otimismo com 2020.

“O que já foi de alguma forma fraco esse ano com certeza ano que vem vai ser positivo.” 

ADI-SC/Adjori-SC - O ano foi de crescimento na indústria e no comércio em Santa Catarina. Como a Facisc vê esse movimento?

Jonny Zulauf - O ano de 2019 foi um ano que frustrou muita gente. Até porque nós vínhamos no embalo da nova administração pública federal e estadual e todos apostaram numa retomada muito rápida, que definitivamente não aconteceu. Entretanto, o que se colhe é que tanto o governo federal quanto o governo estadual estão tomando concretas e reais medidas de reestruturação das políticas públicas. Isso é bem claro.

Em nível federal, não podemos deixar de destacar a grande vitória do que se desejou há décadas que é a reforma previdenciária.

Não só por ela, mas o que ela representa em termos de imagem, de segurança para a economia do brasileiro e do mundo, sabendo que o Brasil está fazendo a lição de casa. É difícil fazer essa reforma. Ela seria a cereja do bolo das medidas que estão sendo tomadas de ordem econômica que a nós interessam. Empresas precisam de segurança, de estabilidade, segurança jurídica.

Em nível estadual, estamos sabendo de sérias mudanças internas na gestão pública, de racionalidade, de medição, de controle..., é impressionante que quando o nosso governador (Carlos Moisés) anuncia o que está fazendo, percebemos que isso não existia antes. Muitos controles, muitas medições. Eu diria que é uma virtude do governo estadual: pouco populismo.

Ações concretas, isso que interessa. E ações concretas implicam em mexer na própria estrutura, onde nem tudo foi tão fácil.

ADI/Adjori - Estamos há dois ou três anos em processo de reformas e se esperava que esse ano teria um crescimento mais acelerado. Para 2020, o que garante que não seja frustrante de novo?

Zulauf - Primeiro, que essas medidas tinham que ser tomadas. Precisávamos acreditar que o governo federal faria a lição de casa. A questão da Previdência é o grande déficit do Brasil. E aí a implementação das propostas de Paulo Guedes (ministro da Economia). Elas vão trazer algumas coisas extremamente fortes para o Estado brasileiro, para a economia brasileira. Com a segurança de estabilidade econômica, nós vamos ter investimentos do exterior. Nós vamos ter a liberação de recursos que estão parados de muito investidor brasileiro, que está esperando para ver o que vai acontecer.

É a poupança nacional. E ela então começa a se liberar agora. O que nós temos do governo federal? A modificação do modal de transportes. Infelizmente, em razão de mudanças de foco no Congresso Nacional, nós não conseguimos resolver. Teve essa confusão com o Supremo. Aliás, esse é o viés negativo do país. O desastre que foi a postura do Supremo Tribunal Federal (STF) por tudo o que fez. Essa polêmica em liberar pessoas que já foram julgadas em segunda instância.

O que isso tem a ver com a economia? Tem que o Congresso Nacional parou o que ele tinha que fazer para estancar essa sangria que é complicadíssima e fizeram com que as reformas tributárias fossem jogadas para o ano que vem.

E algo extremamente importante que vai acontecer no ano que vem, está tudo sendo estruturado esse ano ainda, é a desburocratização.

Salim Matar (secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do governo federal) está fazendo um trabalho extraordinário.

ADI/Adjori - Qual a expectativa?

Zulauf - Se ele fizer metade do que anuncia, nós vamos ter um outro Brasil. Enxuto, mais leve. As medidas de liberação econômicas ainda não foram assimiladas pela sociedade e são medidas extraordinárias, diminuindo burocracia, diminuindo cartórios, diminuindo as exigências documentais. Isso tudo está sendo facilitado, principalmente para o micro e pequeno empresário. São vários aspectos. Nós estamos crescendo em termos de oportunidade de forma muito boa. Então, o que já foi de alguma forma fraco esse ano, com certeza ano que vem vai ser positivo.

ADI/Adjori - Ano que vem será de eleições municipais. Que tema deve ter mais importância?

Zulauf - Deliberamos que nós vamos repassar aos nossos secretários executivos... Uma das propostas que nós vamos apresentar a eles é estimular que façam, e nós vamos ceder a metodologia, o Voz Única. Para eles mesmo, localmente, fazerem o questionário. Cada associação empresarial poderá fazer isso e será, invariavelmente, uma contribuição muito grande para os candidatos. A grande reclamação que nós temos no Estado em geral é infraestrutura.

O empresário catarinense quer condições para trabalhar e a infraestrutura é delicadíssima. A segurança já foi um ponto relevante, mas agora já reverteu. Méritos da gestão, que também não é só desse governo. Nós temos uma competentíssima lógica das nossas polícias.

É preciso continuar investindo em inteligência e parcerias. A inteligência as empresas têm. Elas têm monitoramento, treinamento. A segurança não é só de bandido, pode ser de incêndio, pode ser de catástrofe.

Por: Murici Balbinot (Adjori-SC) e Andréa Leonora (ADI-SC)

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